
Para sua reflexão estamos colocando logo abaixo as 95 teses que foi o estopim em 1517 para a Reforma Protestante.Ficamos conhecidos pelo nome do movimento que nos deu origem, protestantes, mas será que as nossas atitudes realmente condiz com o título que levamos? Esta é minha indagação para você!Leia o que Lutero escreveu e medite sobre a sua vida como trabalhador da seara cujo dono brevemente vem pedir conta.
As 95 teses de Lutero
1. Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo em dizendo “Arrependei-vos,afirmava que toda a vida dos fiéis deve ser uma ato de arrependimento.
2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento dapenitência ( confissão e absolvição) administrado pelo sacerdócio.
3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior;pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamentediferentes espécies de mortificação da carne.
4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si(verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar noreino dos céus.
5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas,exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontadedos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ouconfirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casosque lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, aculpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sobtodos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.
8. Os cânones da penitência são impostos unicamente sobre os vivos enada deveria ser imposto aos mortos, segundo eles.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa, massempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e danecessidade.
10. Os sacerdotes que, no caso de morte, reservam penas canônicas parao purgatório agem ignorante e incorretamente.
11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas empenas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois daabsolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.
13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte ejá estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.
14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou em amor por parte deum homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for adeficiência, maior deverá ser o temor.
15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir aspenas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante doterror do desespero.
16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece sera mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.
17. Parece certo que, para as almas do purgatório, o amor cresce naproporção em que diminui o terror.
18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelasEscrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentaro amor.
19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes desua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamosestar seguros disso.
20. O papa, pela remissão plenária de todas as penas, não quer dizer aremissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foramimpostas por ele mesmo.
21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizemficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.
22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a queestavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.
23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, écerto que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, amuito poucos.
24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganadapor essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação daspenas.
25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, épossuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.
26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder daschaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.
27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (dopurgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando umainvenção humana (hominem praedicant).
28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza;mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.
29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam serresgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino eSão Pascoal).
30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos deque se seguirá a remissão plenária.
31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão rarocomo um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.
32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartasde perdão serão condenados para sempre juntamente comseus mestres.
33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que essesperdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem éreconciliado com Deus.
34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências dasatisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obterredenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com ocristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissãoplenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem umacarta de perdão.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos osbenefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas deperdão.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado,pois - como disse - é uma declaração da remissão divina.
39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase napregação pública simultaneamente ao benefício representado pelasindulgências e à necessidade da verdadeira contrição.
40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas obenefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal épelo menos sua tendência.
41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que opovo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é intenção do papa que seconsidere a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras demisericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aosnecessitados é melhor obra que comprar perdões.
44. Por causa das obras do amor, o amor é aumentado e o homem progrideno bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade, massimplesmente maior liberdade de penas.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que um homem que vê um irmão emnecessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dosperdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que - a não ser que haja grandeabundância de bens - são obrigados a guardar o que é necessário para seuspróprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de perdões é matéria delivre escolha, e não de mandamento. 48. Deve-se ensinar aos cristãos que, aoconceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) deoração devota em seu favor do que de dinheiro contado.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que os perdões do papa são úteis senão se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando, porcausa deles, se perde o temor de Deus.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa conhecesse as exaçõespraticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a Basílicade São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e osossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa - como é de seu dever -desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certosvendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia -se fosse possível - a Basílica de São Pedro.
52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmoque o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma comogarantia.
53. São inimigos de Cristo e do povo os que, em razão da pregação dasindulgências, exigiam que a Palavra de Deus seja silenciada em outrasigrejas.
54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se, no mesmosermão, se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que aPalavra de Deus.
55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões - queé matéria de pouca importância - é celebrada pelo toque de um sino, como umaprocissão e com uma cerimônia, então o Evangelho - que é a coisa maisimportante - deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cemprocissões e de cem cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja - de onde o papa tira as indulgências - nãoestão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque nãoestão amplamente espalhados, mas somente colecionados pelos numerososvendedores de indulgências.
58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, morte edescida ao inferno do homem exterior.
59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja,mas,falando assim, estava usando a linguagem de seu tempo.
60. Sem violências, dizemos que as chaves da Igreja, dadas por méritode Cristo, são esses tesouros.
61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição decasos (especiais) é suficiente o poder do papa.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santo Evangelho da glória e dagraça de Deus.
63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiroúltimo.
64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamentemuito populares, visto que fazem do último primeiro.
65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde aAntigüidade se pescam homens de bens.
66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam osbens dos homens.
67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são asmaiores graças; mas “maiores” se deve entender como rendas que produzem.
68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça deDeus e a piedade da cruz.
69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dosperdões apostólicos com toda a reverência.
70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefade tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação emvez de comissão do papa.
71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos quesejam anátema e amaldiçoado.
72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta edesordenada pregação dos vencedores de perdões.
73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que dequalquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.
74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob opretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.
75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolvermesmo um homem que - para aduzir uma coisa impossível -tivesse violado a mãode Deus, é delirar como um lunático.
76. Dizemos, ao contrário, que os perdões papais não podem tirar omenor dos pecados veniais no que tange à culpa.
77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa podiam dar graças maiores éuma blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, temmaiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças daadministração (ou da cura), etc., como em 1 Co 12.
79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem osmesmos efeitos que a cruz de Cristo.
80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina sejapregada ao povo deverão prestar contas.
81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo apessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menoscontra as perguntas capciosas dos leigos.
82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por umsantíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seriaa mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almaspor causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que éuma causa bem trivial?
83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e elenão restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejamrestituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?
84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoaímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia emamizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que épia e amada, estando ela em necessidade?
85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortosde fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles pormeio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plenaforça?
86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricosCrassos; não pode ele então construir uma Basílica de São Pedro com seupróprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?
87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeitacontradição têm direito à remissão e dispensa plenária?
88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cemvezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essasremissões e dispensas a cada um dos fiéis?
89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas doque dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormenteconcedidos, visto que são igualmente eficazes?
90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmentepara a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma respostaracional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar oscristãos infelizes.
91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção dopapa, seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.
92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo deCristo: “paz, paz”, e não há paz.
93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: “a cruz,a cruz”, e não há cruz.
94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo,sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.
95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitastribulações do que por meio da confiança da paz.
window.google_render_ad();
2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento dapenitência ( confissão e absolvição) administrado pelo sacerdócio.
3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior;pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamentediferentes espécies de mortificação da carne.
4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si(verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar noreino dos céus.
5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas,exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontadedos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ouconfirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casosque lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, aculpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sobtodos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.
8. Os cânones da penitência são impostos unicamente sobre os vivos enada deveria ser imposto aos mortos, segundo eles.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa, massempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e danecessidade.
10. Os sacerdotes que, no caso de morte, reservam penas canônicas parao purgatório agem ignorante e incorretamente.
11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas empenas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois daabsolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.
13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte ejá estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.
14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou em amor por parte deum homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for adeficiência, maior deverá ser o temor.
15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir aspenas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante doterror do desespero.
16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece sera mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.
17. Parece certo que, para as almas do purgatório, o amor cresce naproporção em que diminui o terror.
18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelasEscrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentaro amor.
19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes desua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamosestar seguros disso.
20. O papa, pela remissão plenária de todas as penas, não quer dizer aremissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foramimpostas por ele mesmo.
21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizemficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.
22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a queestavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.
23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, écerto que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, amuito poucos.
24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganadapor essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação daspenas.
25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, épossuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.
26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder daschaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.
27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (dopurgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando umainvenção humana (hominem praedicant).
28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza;mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.
29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam serresgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino eSão Pascoal).
30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos deque se seguirá a remissão plenária.
31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão rarocomo um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.
32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartasde perdão serão condenados para sempre juntamente comseus mestres.
33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que essesperdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem éreconciliado com Deus.
34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências dasatisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obterredenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com ocristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissãoplenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem umacarta de perdão.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos osbenefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas deperdão.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado,pois - como disse - é uma declaração da remissão divina.
39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase napregação pública simultaneamente ao benefício representado pelasindulgências e à necessidade da verdadeira contrição.
40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas obenefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal épelo menos sua tendência.
41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que opovo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é intenção do papa que seconsidere a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras demisericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aosnecessitados é melhor obra que comprar perdões.
44. Por causa das obras do amor, o amor é aumentado e o homem progrideno bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade, massimplesmente maior liberdade de penas.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que um homem que vê um irmão emnecessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dosperdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que - a não ser que haja grandeabundância de bens - são obrigados a guardar o que é necessário para seuspróprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de perdões é matéria delivre escolha, e não de mandamento. 48. Deve-se ensinar aos cristãos que, aoconceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) deoração devota em seu favor do que de dinheiro contado.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que os perdões do papa são úteis senão se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando, porcausa deles, se perde o temor de Deus.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa conhecesse as exaçõespraticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a Basílicade São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e osossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa - como é de seu dever -desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certosvendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia -se fosse possível - a Basílica de São Pedro.
52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmoque o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma comogarantia.
53. São inimigos de Cristo e do povo os que, em razão da pregação dasindulgências, exigiam que a Palavra de Deus seja silenciada em outrasigrejas.
54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se, no mesmosermão, se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que aPalavra de Deus.
55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões - queé matéria de pouca importância - é celebrada pelo toque de um sino, como umaprocissão e com uma cerimônia, então o Evangelho - que é a coisa maisimportante - deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cemprocissões e de cem cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja - de onde o papa tira as indulgências - nãoestão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque nãoestão amplamente espalhados, mas somente colecionados pelos numerososvendedores de indulgências.
58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, morte edescida ao inferno do homem exterior.
59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja,mas,falando assim, estava usando a linguagem de seu tempo.
60. Sem violências, dizemos que as chaves da Igreja, dadas por méritode Cristo, são esses tesouros.
61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição decasos (especiais) é suficiente o poder do papa.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santo Evangelho da glória e dagraça de Deus.
63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiroúltimo.
64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamentemuito populares, visto que fazem do último primeiro.
65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde aAntigüidade se pescam homens de bens.
66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam osbens dos homens.
67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são asmaiores graças; mas “maiores” se deve entender como rendas que produzem.
68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça deDeus e a piedade da cruz.
69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dosperdões apostólicos com toda a reverência.
70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefade tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação emvez de comissão do papa.
71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos quesejam anátema e amaldiçoado.
72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta edesordenada pregação dos vencedores de perdões.
73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que dequalquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.
74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob opretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.
75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolvermesmo um homem que - para aduzir uma coisa impossível -tivesse violado a mãode Deus, é delirar como um lunático.
76. Dizemos, ao contrário, que os perdões papais não podem tirar omenor dos pecados veniais no que tange à culpa.
77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa podiam dar graças maiores éuma blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, temmaiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças daadministração (ou da cura), etc., como em 1 Co 12.
79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem osmesmos efeitos que a cruz de Cristo.
80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina sejapregada ao povo deverão prestar contas.
81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo apessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menoscontra as perguntas capciosas dos leigos.
82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por umsantíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seriaa mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almaspor causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que éuma causa bem trivial?
83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e elenão restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejamrestituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?
84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoaímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia emamizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que épia e amada, estando ela em necessidade?
85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortosde fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles pormeio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plenaforça?
86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricosCrassos; não pode ele então construir uma Basílica de São Pedro com seupróprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?
87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeitacontradição têm direito à remissão e dispensa plenária?
88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cemvezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essasremissões e dispensas a cada um dos fiéis?
89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas doque dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormenteconcedidos, visto que são igualmente eficazes?
90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmentepara a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma respostaracional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar oscristãos infelizes.
91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção dopapa, seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.
92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo deCristo: “paz, paz”, e não há paz.
93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: “a cruz,a cruz”, e não há cruz.
94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo,sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.
95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitastribulações do que por meio da confiança da paz.
window.google_render_ad();



